Produção leiteira caiu em 50% e proprietários de terras estão transportando água para gado em botijões
São Mateus - A região Norte e Noroeste do Espírito Santo vêm enfrentando problemas, mais uma vez, devido ao período de seca em diversas partes Estado.
O baixo nível de água do Rio Cricaré tem dificultado o rendimento econômico de agricultores e produtores rurais da região. O longo período sem chuvas, tanto na localidade quanto onde nasce o Rio, que é em Minas Gerais, tem tornado a rotina de pequenos e grandes produtores desastrosa. Prova disso é o que relata o produtor rural Sterversson Bigossi. “Minha produção era de 100 litros de leite por dia. Hoje caiu para 68. O litro valia R$ 0,70 e agora está com o preço de R$ 0,62”, disse.
Bigossi possui uma propriedade no Nativo, a 17 quilômetros de São Mateus. Há cinco anos decidiu investir na criação de gado leiteiro como economia. “Com esta seca, minhas despesas aumentaram demais, ainda não fiz os cálculos dos danos. De forma natural não tem como alimentar os animais. Todos os dias preciso transportar em um caminhão quatro botijões de água de 220 litros cada, senão o gado morre de sede”, fala.
De acordo com o produtor rural, a produção leiteira em sua propriedade caiu em média 50%. “Um seca como esta eu nunca vi. Vou ter que investir em poços, colocando máquina para a construção. A hora custa R$ 160, quem não pode pagar vai sair

“O Cricaré baixou e existe trecho que pode até atravessar de bicicleta”, disse o produtor rural Robson Almeida Barbosa Filho.
ainda mais prejudicado”.
Outro produtor rural que também vem enfrentando o mesmo problema é o Robson Almeida Barbosa Filho, que possui uma propriedade na Rodovia ES 315, estrada que liga São Mateus a Boa Esperança, próxima a localidade do Chiado. De acordo com Barbosa, o transporte de água para abastecer o gado também está sendo necessário fazer em sua região. “O Cricaré baixou e existem trechos que dá até para passar até de bicicleta. O prejuízo que estamos tendo é enorme, uma seca como esta eu presenciei somente em 1997”, conta. “É preciso fazer represas ou encontrar outra solução, senão, não sei até onde iremos suportar a situação”.
Soluções
De acordo com o engenheiro agrônomo Antonio de Pádua Motta, a solução para o problema da seca está no armazenamento de água. “Construir barragens seria o ideal porque quando estivermos numa época como esta, o produtor não vai sofrer como agora”, revela.
A região Norte e Noroeste do Espírito Santo tem característica de um clima seco sub-úmido e este ano, por exemplo, as variações sem chuva contaram com até quatro meses. “Os dois semestres estão sendo marcados por período não chuvoso, assim as águas das bacias hidrográficas têm baixado, o que vem gerando problemas na região”, esclarece Motta.
O período chuvoso vai de setembro até março, mas, nesta temporada, as chuvas estão irregulares.
Análise técnica
De acordo com extratos do Balanço Hídrico do Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural) de 2010, os resultados tem sido negativos na maioria dos meses, caracterizando uma insuficiência pluviométrica, o que tem acarretado prejuízos no meio rural e urbano. Os dados demonstram que no mês de janeiro, por exemplo, os milímetros de chuva ocorrido foram de 4,2, mas a necessidade média estimada seria de 142. Já no mês de setembro, o nível foi de 18 milímetros e a necessidade, 103.
As principais atividades afetadas pela estiagem, de acordo com o coordenador da Defesa Civil do município, Valdir Mirandola, são: pecuária leiteira e de carne, café, pimenta-do-reino, maracujá, côco, cana-de-açúcar, eucalipto e entre outras. “Estimamos uma perda média para estas atividades em torno de 40% até o momento”, relata. “Estamos avaliando para entrar com um possível pedido de situação de emergência. Os danos estão sendo imensos, o que já vem causando desempregos e instabilidade nas famílias”.
Projetos
O secretário de Agricultura de São Mateus Eliseu Bonomo, informou que existe um projeto para construção de barragens no município, previsto para ser iniciado no próximo ano. “O custo deste empreendimento é alto, não tem como fazer algo sem planejar”, disse o secretário que ainda completa. “Além disso, precisamos de licenciamento do IDAF ou Iema (Instituto de Pesquisa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo e Instituto Estadual de Meio Ambiente)para conseguir executar as obras. A burocracia para isso é grande, mas estamos emprenhados em solucionar estes problemas”.
O secretário não pode informar a previsão de tempo para início do empreendimento, por depender da aprovação dos órgãos citados acima para realização das obras.






