São Mateus pede ajuda ao Estado para melhorias no Porto

Após protesto na ladeira São Gonçalo, na última quarta-feira (26), secretários municipais e comunidade decidem levar reivindicações à Secretaria de Estado da Cultura.

Após protesto dos moradores, a principal ladeira de acesso do Porto ficou intransitável.

Após protesto dos moradores, a principal ladeira de acesso do Porto ficou intransitável.

São Mateus – A Associação de Moradores do Bairro Porto e secretários municipais vão a Vitória, na próxima segunda-feira (29), apresentar à Secretária de Estado da Cultura, Dayse Oslegher Lemos, propostas de melhorias para a ladeira São Gonçado, principal acesso ao Sítio Histórico. A intenção é mudar a lei que impede o governo municipal de realizar qualquer intervenção na via. “Nós queremos agir respeitando a questão cultural, mas o calçamento, seja histórico ou não, está ruim e precisamos da autorização do Estado para interferir”, afirma o Secretário Municipal de Turismo, Agnelo Neto.

Na reunião em Vitória, a associação de moradores apresentará um requerimento com as principais reivindicações da comunidade. “O objetivo é sensibilizar, faremos um documento com fotos da ladeira e assinaturas de moradores. Apesar de irmos à capital, queremos que a secretária compareça a São Mateus para ver a situação de perto”, disse o presidente da associação, Vaneuton Barros.

As decisões foram tomadas após um encontro nessa sexta-feira (26), que envolveu o secretário municipal de cultura, Mauro Simão, secretários de turismo, Agnelo Neto, de planejamento e desenvolvimento, Willian Zanni,  de obras, Luiz Carlos Sossai, além do presidente da associação de moradores do bairro Porto, Vaneuton Barros, e representantes da comunidade.

Interdição
Na última quarta-feira (24), a ladeira São Gonçalo foi destruída por moradores em protesto ao abandono do local. O movimento foi organizado pela Associação de Moradores e os Amigos do Porto, com o objetivo de chamar a atenção dos governos estadual e municipal. “Eu respeito o movimento, quando a comunidade toma atitudes como esta, ajuda na agilidade da solução”, ressalta Mauro Simão.

As pedras da ladeira são do século XVII, e foi usada mão-de-obra escrava, na época da colonização, para fazer o calçamento. A última melhoria no acesso foi feita em 1998, quando o Sítio Histórico Porto foi totalmente restaurado. Os moradores alegam que a falta de manutenção tem espantado até os turistas. “Teve um visitante mineiro que quebrou a perna aqui, ele ficou revoltado e disse que nunca mais voltaria”, conta a moradora Indiamara dos Santos Conceição.

O estudante Breno Rocha dos Reis precisa passar pela ladeira São Gonçalo todos os dias para ir estudar, e afirma que já perdeu até a bicicleta devido o calçamento ruim. “Minha bicicleta já quebrou e até quem passa por aqui de carro reclama”, afirma.

A aposentada Maria Santos, de 75 anos, conta que precisa subir a ladeira quase todos os dias para ir ao mercado, e reclama do perigo. “É muito perigoso tropeçar, deveria ter um corrimão para os idosos, eu sinto dores nas pernas e não tenho onde segurar”, reclama à aposentada.

Já a moradora da ladeira São Gonçalo, Verinha Pastorine, de 65 anos, afirma que as pedras não são do século XVII. “Lembro que na minha juventude isso aqui era estrada de chão, colocaram as pedras depois”, conta a aposentada, que ainda afirma que viaturas da polícia e ambulâncias têm dificuldade de descer até o Porto.

Comentários

  1. Vinicius disse:

    Vinicius disse:

    Sobre o artigo Dono, não. Protetor, sim, venho lamentar por São Mateus que possui uma identidade rica abundante que insiste em negar, é como um talentoso pescador que atua como um péssimo construtor. Anunciou ao mundo um sítio histórico meia boca, num mergulho sem fôlego, sem projeto sustentável, economicamente inviável e em constante deteriorização, abandonado ao descaso, motivo de medo de uns e horror de outros, lado negro de uma sociedade que também a renega, salvo por pessoas que as vêem com tal importância e se esmera. Até quando São Mateus seus senhores a verão como uma galinha dos ovos de ouro e não a enxergam como um falcão majestoso e glorioso sobre o Vale do Cricaré.

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