Família adota adolescente de 17 anos em São Mateus

“Apesar da minha idade, eu nunca perdi a esperança de ter uma nova família”.

A afirmação emocionada é da estudante Maria Martinelli Coelho Ferreira, de 17 anos, que morou por 10 anos em abrigos para menores de São Mateus, Norte do Estado. No último dia 27 de julho, a Justiça aprovou a adoção da adolescente por uma família do município.
Abandonada pelos pais biológicos ainda bebê, a menina conta que foi criada por um tio até os 7 anos, quando foi entregue à Casa Lar de São Mateus, instituição que acolhe crianças afastadas da família.

Aos 12 anos, e sem pretendentes para adoção, Maria passou a morar em uma unidade de acolhimento da prefeitura, onde vivem adolescentes de 12 a 18 anos em situação de abandono familiar.

“Apesar de nunca ter perdido a esperança de ter uma família, já estava preparada para viver sozinha, pois estava atingindo a maioridade e sairia da fila de adoção”, conta Maria, que vai completar 18 anos em novembro. Ela tem três irmãos biológicos que vivem no abrigo.

Os pais adotivos, o soldador Renildo Ferreira Martinelli, 46, e a técnica em perfuração Gabriela Martinelli Coelho Fernandes, 42, que têm duas filhas biológicas – Ana Luiza, de 16, e Paola, 4 anos – costumavam ir ao abrigo para oferecer ajuda, e logo criaram uma relação de carinho com Maria.

“Conhecemos ela em dezembro, e rapidamente fomos nos apegando. Logo percebemos que ela era nossa filha, só estava morando no lugar errado”, conta Gabriela.

Ela afirma que sempre teve desejo de realizar uma adoção, e enfrentou o preconceito de conhecidos quando decidiu ficar com Maria. “Me chamaram de louca por querer adotar uma menina de 17 anos. Ouvi comentários negativos de gente que não aprovava, e dizia que deveria adotar um bebê. Mas meu coração de mãe já era dela.”

Segundo o juiz da Infância e Juventude Antônio Moreira Fernandes, que julgou procedente a adoção tardia, a família adotiva passou por um estudo técnico da Central de Apoio Multidisciplinar antes de receber a guarda provisória, e também teve parecer positivo do Ministério Público Federal.

“Poder atuar em um processo de adoção de uma adolescente prestes a atingir a maioridade é algo extremamente gratificante”, frisou o juiz.

(*Com informações do Tribuna On line/ reportagem: Edson Sodré)

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